domingo, 1 de novembro de 2009

Igualdade simplória

domingo, 1 de novembro de 2009 6
Ela beijou as mãos dele tão ternamente que sua delicadeza pairou entre a linha de maternal e amante. Os lábios vistosos e gélidos, porém cheios de vida, pressionaram-se contra a testa da mão dele, fazendo com que os dedos pasmassem um pouco no ar.
— Anabele! Ah Anabele... — suspirou prazerosamente, quase ofegante por perder o senso.
Podia vê-la curvada a beijar suas mãos, tão simplória e desnuda de seu ego. Poucos momentos eram tão puros quanto aquele.
Ele mesmo fez questão de levantar aquele rosto frágil para apoiar a cabeça em seus seios. Sabia que ela não gostava de quando ele a tratava assim, mas em momentos como aquele, arriscar não significaria muita coisa senão arriscar.
Ela o acolheu.
Nem palavras se fizeram necessárias, nem vento soprou galhofeiro, ou insetos pousaram nas flores. Fez-se uma atmosfera congelada, mas longe de ser patética.
— Anabele! Ah Anabele... — Nesses momentos tê-la em seus braços ou estar em seus braços estava alheio a qualquer estereótipo masculino. Tê-la era apenas tê-lo.E ambos se entregavam ao exclusivo estado de estar.



"Je t'aime encore tu sais je t'aime"
 
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