terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Ruivinha

terça-feira, 22 de setembro de 2009 11
ILUSTRAÇÃO feita por mim, por favor não copie.

Um beijo doce e suave. Foi só o que ela pediu. Uma ruiva esganiçada, era pobre a coitada. Só o caniço se via, quando a ladeira do colégio a mostrava sem dó nem piedade, na vergonha da puberdade. Eram mudanças da idade, bolhas de óleo quente borbulhando pelo sol na cara dela. Se perdia e achava, ria, chorava. Perdia o trem de novo. Perdeu mais uma vez.
No pátio comia sozinha, a mesma fita fininha, nos cabelos era cúmplice, das goiabas roubadas do pé do vizinho e das maldades dosoutros também. Maldade é sussurrar pelas costas. Maldade é tratar com desdém.
Porque a capiau só queria um beijo. Beijo é pedir demais? Pra quem anda tão longe donde mora? Pra quem sai das barras do pai?
Folgando as mangas costuradas, em cada canto um remendo, é retalho da vó-bisa, que não dormiu à noite fazendo. E pediu benção ao pai, ao avô e bisavó. Mãe, não senhor, só tenho a vovó — respondia ao diretor...
Calada tão simples, de pano e de palha, feita de bode, cabrito e de vaca, só não comia capim porque não era bicho, e das poucas e boas que a viam, estava calada, tão simples.
“Que beijo que o quê? Beijo nenhum vou te dar! Sai daqui sua porca infeliz, vai procurar em lavrar!”
Chorou dengosa a ruivinha, correu pela cerca sozinha. Lançou-se aos braços do pai. —
“... Não me deixe. Não quero estudar mais!”


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Dedico este texto à todas garotinhas, que como eu, descobriram as paixões em forma de bonecas de pano sem botões no lugar dos olhos.

Para Nágylla, que mesmo vindo de uma pequena cidade no interior do Piauí, criou suas próprias oportunidades, nunca deixando de alimentar o valente coração com esperança.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

SÃO LUÍS

terça-feira, 8 de setembro de 2009 3
Caminhemos a cantarolar uma missa
Unidos, o povo, na procissão
Não há correntes ou algemas, amarras de espora
que domem os arquejos do bom coração

Embrumada no ar o cheiro de história
Em terra um povo valente e cristão
Dum grupo, quatro capuchinhos almejavam na glória
Decretar pelas matas civilização

Daniel de La Touche fundou le fort Saint-Louis
e tornou la vierge França Equinocial
Três anos depois com a Nossa Senhora
Disse Jerônimo “Livrai-nos do mal.”

Ah! Mas estes meus tempos de outrora
marcaram o povo que aqui viveu e morreu
batalhas tão púrpuras concretizaram vitórias
e assim pelos anos novo povo nasceu

São Luis minha cidade querida
meu coração até chora se pensar em perder
toda tua mata e anos de glória
prefiro o exílio ao ficar-padecer

Vê se cresce minha cidade
Não deixemos, nós jovens, morrer a matriz
façamos como Beckman antes morto enforcado
“Pelo Maranhão morro feliz.”


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São Luís,
PARABÉNS PELOS 397 ANOS!
 
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