quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Enquanto correr sangue preto nessas veias de poeta

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Falar de morte virou moda, falar de vida ressequida.
Falar de amor é besteira, amor que mata é mais prazeroso.
Tentar o homem é interessante, vê-lo sangrar é agradável. Viver é inútil, porque o homem sangra. O homem sangra nas rosas brancas para deixá-las avermelhadas, o homem sangra nas suas palavras, lamentavelmente.
O sangue é mais bonito que a água destilada, o sangue é quase preto dentro do padrão de um belo texto. Muito, derrama, e jorra, e invade quem quer e quem não quer.
Tornamo-nos vampiros sem ao menos desejarmos, achando que isso é algo plausível. Quando vem o ponto, a virgula, e mais dor, e mais tormento, ninguém precisava ler tanta baboseira pessimista, ainda mais vinda do fogo infernal da alma de uma hipócrita.
A única verdade é a verdade do caos. A única salvação é a mentira que se cria pra forjar algum escândalo.
Escândalos são bons em textos de morte, porque são eles que chocam, que trazem a singular escapatória da insanidade, mas são truques, são truques harmonicamente esdrúxulos, chulos. E os amantes da dor aplaudem de pança cheia e calça desabotoada, de pênis pra fora e saliva de sobra na boca.
Nesses momentos me vem a vontade de perguntar:
Porra, e a merda do meu texto sobre a vida bucólica de uma mulher honesta?

Enquanto dói, fere e machuca, mais bonito é, mais interessante. Viver é inútil, porque o homem sangra.

6 Espectros:

Danilo Castro disse...

Simplesmente sua crítica foi lá no fundo. Já refleti sobre o poder das palavras. Principalmente quando elas são desperdiçadas a título de um falso enobrecimento que autores tentam dar aos textos inserindo uma dor chula, equivocada. Mas há dores quase de partos perambulando por aí, essas dores são as densas, mas às vezes ficam perdidas, indefiníveis, resguardadas à sua honestidade. Já essas outras dores que nem doem de verdade no âmago de quem escreve, são o que também me dói.

Gosto de pessoas honestas, francas.

Ruivinha, você me é assim.

[M]. Atahualpa disse...

As vezes a cabeça doi, mas evitar ou fingir não ter visto também fazem doer.
Não existem fórmulas para a maioria das coisas, apenas viver é por si só o maior dos testes.

Paz.

Anônimo disse...

É um tema inesgotável esse abordado em seu texto. Quando se olha para o belo e para o feio, para a dor e para o amor, como coisas distintas.

Eu, pessoalmente, não consigo apreender um, sem o outro. E no seu texto, felizmente, os dois respiram...ou sangram.

Olga disse...

nossa! gostei muito, sério. e seu vocabulário é ótimo tambem. perfeito.

Will disse...

Na verdade, em todo lugar o que impera é o que choca, o que dói ou o que machuca. Triste realidade em que vivemos.

Heitor Cardoso disse...

Acho que é por isso que viver não é inutil. O homem sangra. Não se é grande sem crescer. Não se cresce sem sentir. Nada existe sem porquê, portanto...

A sociedade do espetáculo existe em nós, e não ao nosso redor; nos arredores da alma o poeta faz nó; e quanto a nós; vis e mortais; esperamos a todo momento encontrar entre todos os males o maior mal; aguardar é sempre bom quando se está; na santa paz de Deus: o mais perfeito caos.

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