quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Enquanto correr sangue preto nessas veias de poeta

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009 6
Falar de morte virou moda, falar de vida ressequida.
Falar de amor é besteira, amor que mata é mais prazeroso.
Tentar o homem é interessante, vê-lo sangrar é agradável. Viver é inútil, porque o homem sangra. O homem sangra nas rosas brancas para deixá-las avermelhadas, o homem sangra nas suas palavras, lamentavelmente.
O sangue é mais bonito que a água destilada, o sangue é quase preto dentro do padrão de um belo texto. Muito, derrama, e jorra, e invade quem quer e quem não quer.
Tornamo-nos vampiros sem ao menos desejarmos, achando que isso é algo plausível. Quando vem o ponto, a virgula, e mais dor, e mais tormento, ninguém precisava ler tanta baboseira pessimista, ainda mais vinda do fogo infernal da alma de uma hipócrita.
A única verdade é a verdade do caos. A única salvação é a mentira que se cria pra forjar algum escândalo.
Escândalos são bons em textos de morte, porque são eles que chocam, que trazem a singular escapatória da insanidade, mas são truques, são truques harmonicamente esdrúxulos, chulos. E os amantes da dor aplaudem de pança cheia e calça desabotoada, de pênis pra fora e saliva de sobra na boca.
Nesses momentos me vem a vontade de perguntar:
Porra, e a merda do meu texto sobre a vida bucólica de uma mulher honesta?

Enquanto dói, fere e machuca, mais bonito é, mais interessante. Viver é inútil, porque o homem sangra.

domingo, 6 de dezembro de 2009

O Caos e a Ordem

domingo, 6 de dezembro de 2009 2

Esse texto sem propósito aparente não vem discorrer sobre as injustiças do mundo ou do homem em seu habitat verde de musgo e produtos químicos, e muito menos sobre a bondade de Deus soberana e segura sobre a cabeça atordoada de cada um de nós. Na verdade, esse é um texto bem egoísta, bem mesquinho, e só lê quem quer saber sobre a vida alheia ou tem simpatia com o modo em que escrevo (que eu sinceramente acho uma miséria).
Eu não procuro uma forma de entregar o que sinto tão fácil à vocês, seres sem cara nem cheiro! Por isso eu complico tanto que quem não entende fica sem entender porque nem tenta, mas é que eu tento tão pouco também... Por isso somos irmãos, todos nós. Unidos até pelas diferenças.
Vontade e disposição não me faltam para arriscar e jogar minha moedinha favorita de 1,00 real dentro do poço escuro e viscoso quando surge uma oportunidade pela estrada, tenho até curiosidade em saber se aquilo tem fim, se eu vou chegar a escutar minha moedinha reverberando pelas paredes de cascalho.
O simples tocar ao pé do ouvido não basta quando me oferecem palavras tão bem distribuídas em papel pardo, do tempo do meu avô, e palavras em papel velho não bastam quando me oferecem o que eu provavelmente sentiria se já pudesse entender.
Mas é que os dois estão tão distantes e os dois opostos me fazem sentir tão viva, tão louca, tão surda. O velho papel me proporciona o renascer em todo o caos moderno de poeta boêmio em plena crise da adolescência, me lapidando e me amando loucamente, de forma possessiva e apaixonada, sem crer que o dia depois de amanhã realmente fará alguma diferença, ou crendo que o por-do-sol de hoje está tão lindo que se poderia morrer bem em frente, é claro, só depois de gritar “Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo.” E proclamando eufórico às ondas calmas do mar o poema “Traduzir-se”, de Ferreira Gullar — Como os lunáticos do reviver.
O bom moço vestido de gaivota branca que plana suave, em cima do mar a furar o horizonte, tão compenetrado, me mata de amor com os olhos felizes de saborear a plenitude — tão cedo.
Ah! Eu meio que me arrumei num canto ranzinza do medo de saborear o gosto do silêncio merecido e conhecedor, e com isso provoquei minha fúria de deus de mim mesma, fúria essa como a de todos os deuses, sem fundamento e sem propósito, perdão, o propósito de todo deus com ira... Um absurdo!
O que acontece é que nem eu entendo como posso estar na linha que observa e atua ao mesmo tempo, como posso interferir nas minhas próprias coisas dum jeito tão racional, e que parece, às vezes, tão natural.

domingo, 1 de novembro de 2009

Igualdade simplória

domingo, 1 de novembro de 2009 6
Ela beijou as mãos dele tão ternamente que sua delicadeza pairou entre a linha de maternal e amante. Os lábios vistosos e gélidos, porém cheios de vida, pressionaram-se contra a testa da mão dele, fazendo com que os dedos pasmassem um pouco no ar.
— Anabele! Ah Anabele... — suspirou prazerosamente, quase ofegante por perder o senso.
Podia vê-la curvada a beijar suas mãos, tão simplória e desnuda de seu ego. Poucos momentos eram tão puros quanto aquele.
Ele mesmo fez questão de levantar aquele rosto frágil para apoiar a cabeça em seus seios. Sabia que ela não gostava de quando ele a tratava assim, mas em momentos como aquele, arriscar não significaria muita coisa senão arriscar.
Ela o acolheu.
Nem palavras se fizeram necessárias, nem vento soprou galhofeiro, ou insetos pousaram nas flores. Fez-se uma atmosfera congelada, mas longe de ser patética.
— Anabele! Ah Anabele... — Nesses momentos tê-la em seus braços ou estar em seus braços estava alheio a qualquer estereótipo masculino. Tê-la era apenas tê-lo.E ambos se entregavam ao exclusivo estado de estar.



"Je t'aime encore tu sais je t'aime"

domingo, 18 de outubro de 2009

Nós duas

domingo, 18 de outubro de 2009 5

Nunca nos vimos, nunca nos falamos, e a paciência vai fluindo no rio de águas turvas que a gente cria de propósito só porque somos assim. Um pouco diferentes e um pouco normais. Normais demais, demais todos os dias. E a normalidade do mundo pode algum dia conviver com a nossa? Mas é a mesma coisa, as mesmas preocupações. Duas criaturas que desejariam fugir para um universo bem distante, procurando aquela coisa em alguma estrela maior e brilhante. A gente queria mesmo é estar procurando Atlântida, como vivemos nas criações de Colin Thompson, navegando por aê nuns navios bem grandes e porcos da época medieval, queremos ser os marinheiros e as próprias sereias com os cantos a iludir quem passa. Meninas, meninos, bruxas, vampiros, putas, cowboys, vai tudo variando quando a gente tenta fugir de alguma coisa que sabemos bem como é. “Não me deixa ficar assim, meu Deus!”. Queremos uma boa dose de RUM que desça rasgando a garganta, queremos guelras só para ver como é explorar o inimaginável fundo do mar, onde homem nenhum foi! Mas não somos homens, somos duas mocinhas, e é por isso que a gente pode.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Breve visita aos cantos do céu

terça-feira, 13 de outubro de 2009 5
E foi aqui, acima das nuvens, das próprias nuvens que eu recordo onde estive por uma vez apenas. Não em sonho, não por minha mente doentia, juro que sou mais saudável que aparento e que nunca seria capaz de imaginar tal extravagância antes mesmo de vê-la com os próprios olhos.
Foi repentino, e o manto branco esvoaçante e pomposo já esmigalhava-se perante o céu azul e límpido. Tudo tão claro e branco que fechei um pouco as pálpebras para apreciar. Apreciar o que? Apreciar o nada e tudo, porque aquilo era alguma coisa e coisa nenhuma ao mesmo tempo. Eu soube disso porque senti, e foi a primeira vez que senti algo depois de muito tempo.
O manto branco lembrou-me dos lençóis do mês de julho, tão lácteos, nas manhãs dos varais expostos, na terra. Estava sob tudo aquilo, desfeita completamente do inferno abaixo das nuvens. Tudo abaixo de tudo, como nas camadas de areia, desérticas como eu.
O sentimento de vida retomava meu profundo âmago de bicho entocado, o vento fluía forte ali, tão alto, tão alto. Ah! Eu me joguei! Finalmente libertada das hipocrisias, mentiras, ideologias. Fui caindo feito pássaro sem asas, suicida corajoso como sou. Mas fui caindo tão rápido, ao ponto de as palavras fugirem de mim, de me escapar o sentimento consumidor. Pensei “Meu Deus, e era pra ser assim?”.
Atravessei o manto branco, uma rocha, fiz um furo no abstrato do impossível inimaginável. Cambaleei pelas nuvens bobas, tentei agarrar-me à uma delas. Más! Nuvens tão impiedosas! Recusaram meu apelo, meus braços finos, e nada pôde segurar-me ali. Não era o local em que eu estava presa, inacreditável. Ouvi sussurros por toda a queda, como invasões. “Não és mais tão suicida assim, não?” Riram de mim? Ou foi apenas o vento a profanar perversidades pelos meus ouvidos? Das poucas certezas que achei que tivesse, fui despida friamente como num encontro brutal... Sei que a atmosfera inteira penetrava em minha pele, ouvidos, boca e olhos. Fogo! Fogo!
Antes de esparramar-me pelo chão, lembro de uma ultima olhada para o lençol branco agora tão distante. Havia sumido, se desfeito como neve desfalece em água, que evapora sem sentido algum. Não havia varal, nem lençóis, o mês era outubro.
E por mais que meu corpo gritasse de medo por dentro, consumindo o antes sentimento de vida que era pura mentira e miséria, o coração estava à favor da dependência, solene e fiel como sempre (mais dependente de mim que eu dele), recusei apelos externos, internos, e minha ciência num ápice de misericórdia sentiu-se agradecida com aquilo.
Incrivelmente ainda estava viva, minutos bônus para um ultimo suspiro de consciência. Talvez o manto fora mesmo para mim, talvez. O mais estranho foi ter saído do bueiro e voltado para o mesmo tão bruscamente. Então era aquilo que chamam “céu”?
Se for, não encontrei Deus, tampouco fui bem-vinda.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Ruivinha

terça-feira, 22 de setembro de 2009 11
ILUSTRAÇÃO feita por mim, por favor não copie.

Um beijo doce e suave. Foi só o que ela pediu. Uma ruiva esganiçada, era pobre a coitada. Só o caniço se via, quando a ladeira do colégio a mostrava sem dó nem piedade, na vergonha da puberdade. Eram mudanças da idade, bolhas de óleo quente borbulhando pelo sol na cara dela. Se perdia e achava, ria, chorava. Perdia o trem de novo. Perdeu mais uma vez.
No pátio comia sozinha, a mesma fita fininha, nos cabelos era cúmplice, das goiabas roubadas do pé do vizinho e das maldades dosoutros também. Maldade é sussurrar pelas costas. Maldade é tratar com desdém.
Porque a capiau só queria um beijo. Beijo é pedir demais? Pra quem anda tão longe donde mora? Pra quem sai das barras do pai?
Folgando as mangas costuradas, em cada canto um remendo, é retalho da vó-bisa, que não dormiu à noite fazendo. E pediu benção ao pai, ao avô e bisavó. Mãe, não senhor, só tenho a vovó — respondia ao diretor...
Calada tão simples, de pano e de palha, feita de bode, cabrito e de vaca, só não comia capim porque não era bicho, e das poucas e boas que a viam, estava calada, tão simples.
“Que beijo que o quê? Beijo nenhum vou te dar! Sai daqui sua porca infeliz, vai procurar em lavrar!”
Chorou dengosa a ruivinha, correu pela cerca sozinha. Lançou-se aos braços do pai. —
“... Não me deixe. Não quero estudar mais!”


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Dedico este texto à todas garotinhas, que como eu, descobriram as paixões em forma de bonecas de pano sem botões no lugar dos olhos.

Para Nágylla, que mesmo vindo de uma pequena cidade no interior do Piauí, criou suas próprias oportunidades, nunca deixando de alimentar o valente coração com esperança.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

SÃO LUÍS

terça-feira, 8 de setembro de 2009 3
Caminhemos a cantarolar uma missa
Unidos, o povo, na procissão
Não há correntes ou algemas, amarras de espora
que domem os arquejos do bom coração

Embrumada no ar o cheiro de história
Em terra um povo valente e cristão
Dum grupo, quatro capuchinhos almejavam na glória
Decretar pelas matas civilização

Daniel de La Touche fundou le fort Saint-Louis
e tornou la vierge França Equinocial
Três anos depois com a Nossa Senhora
Disse Jerônimo “Livrai-nos do mal.”

Ah! Mas estes meus tempos de outrora
marcaram o povo que aqui viveu e morreu
batalhas tão púrpuras concretizaram vitórias
e assim pelos anos novo povo nasceu

São Luis minha cidade querida
meu coração até chora se pensar em perder
toda tua mata e anos de glória
prefiro o exílio ao ficar-padecer

Vê se cresce minha cidade
Não deixemos, nós jovens, morrer a matriz
façamos como Beckman antes morto enforcado
“Pelo Maranhão morro feliz.”


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São Luís,
PARABÉNS PELOS 397 ANOS!

domingo, 23 de agosto de 2009

Verme urbano e Inocência dualista

domingo, 23 de agosto de 2009 9
“I wish I was special
So very special
But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here
I don't care if it hurts
I wanna have control
(...)”

É como se eu tivesse fechado os olhos para o mundo. E nas profundezas da alma encontrado uma fenda enorme saturada de vísceras, de liquido denso coagulado e de chorume. Estava camuflada, mas continuava ali, imóvel e descansada entre as sombras do meu coração, uma enorme poça a céu aberto, ignorada pelos sofredores e amantes anônimos deste poço chamando mundo. Mas antes, ninguém se importou se fedia, era só tapar o nariz e seguir em frente fingindo que não estivesse ali. Eu nunca estive ali.
Se eu ao menos tentasse olhar mais para dentro... Antes veria que tudo estava ficando turvo, que o coração bombeava veneno tristemente para as veias, e que as veias se dilatavam sem pena do meu corpo. Eu sentia tudo, cerrando os dentes. A carne sofreu. Começaram a trabalhar todos com vida própria, nada ligou para nada. Tornei-me uma grande fábrica sem comprador, uma construção tão rapidamente ruinosa, com o proletário desgastado, doente e apático. Estão todos trabalhando, tossindo dentro das minhas entranhas. Posso sentir o peso dessa prole antitética todos os dias, não há só ignorantes morando aqui. Corrupção!
O gabinete principal explodiu. Ouviram os fogos de lá, gente que nem sabia do mundo aqui dentro.
Não me movo quando estoura tudo, frequentemente, os cabos inundam meus braços, e se balanço muito, a lama me escorre pelos ouvidos. No todo, está tudo murchando e ensopando diariamente, expelindo sangue negro e nocivo das artérias.
Era nojo de vomitar gosma, era nojo de tocar todo o resto. Lixo-humano, porcaria canhenga. Matadouro aberto ao publico.
Chorei. Mas dos meus olhos saíram água pura.
Cortei, fatiei em pedaços rompendo os cabos e aos poucos a fábrica cessou.
No chão, o esgoto afetava a vizinhança.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Chuva boba e simples

quinta-feira, 13 de agosto de 2009 8
Ah! Hoje é mais um dia de chuva.
Vi por entre a janela um maravilhoso céu nublado. Umas nuvens cinza, graciosíssimas, foram pinceladas à mão, formando grandes manchas pomposas e soltas. Uma tarde tão notória guardaria um segredo tão anormal?
Não.
Porque é chuva. É apenas uma chuva de tarde nublada.
Promete ser uma chuva que talvez molhe meus cabelos, escorra pelo meu rosto, ensope minhas roupas, leves, brancas. Verei tudo tornar-se embaçado e puro. Os cabelos aumentarão de comprimento e evacuarão suavemente com os pingos d’agua. Como os pingos d’agua. Estes deslizarão sob todo meu corpo, sem pressa, estarão sorrateiros, e brincarão em minhas curvas. Sei que fecharei os olhos brandamente, tentando sentir os pingos no meu rosto contrastarem com a batida de meu coração. Formarão uma melodia. Qualquer minuto olharei para cima, sorrindo. Agradecendo, talvez. Provavelmente não pensarei em nada.
Não é deliciosa essa certeza?
Será o momento do não pensar em nada pela simplicidade de apreciar uma chuva gostosa e evasiva. Não minto quando digo que os suspiros fogem-me pela boca, e velejo pelo mar manso de meu ser nesse momento. Sinto um delicioso arrepio de leve que passa pelo meu pescoço e vai até a orelha, gelado. Toco com as mãos meu rosto, cabelos, boca. Ainda estaria aqui?
Me pego sorrindo para as paredes. E de certa forma, elas retribuem com seu palpitar petrificado, deveras complexo para alguns comuns. Mas para mim não, eu as entendo. Só entende as paredes aquele que costuma passar muito tempo de frente para elas, ou ao seu lado. Pessoas assim como eu. Que descobriram o confortável acolhimento dos tijolos, cimento e reboco.
Comecei a escrever com o coração acelerado esse texto bobo, simples. Agora em meu peito tem algo calmo, comandando meu resto.
Minha mente perdeu a complexidade natural que todos atribuíram por serem tão analíticos. Minha mente está branca, boba, simples. Estão incomodados, mas eu não. Por que estaria?

Shh...
E lá vem os primeiros pingos.

sábado, 8 de agosto de 2009

Inspiração Encomendada

sábado, 8 de agosto de 2009 6
As mãos estavam apertadas, coladas uma à outra, os dedinhos vermelhos travavam uma batalha quente e suada sob as coxas juntas, levemente inquietas. Sentada numa cadeira desconfortável de plástico, dentro de uma sala abafada, pouco iluminada por uma luz azul.
Os olhos fechados com força, como se quanto mais rigidez atribuísse às suas sobrancelhas para dobrar-lhe os couros significasse uma profunda concentração digna de atenção maior. Atenção que buscava em momentos propícios, não de muitos, todos os dias ou na mesma salinha escura e azulada. Era vontade de focar com a mente seu objetivo palpitante, de fazê-lo saltar do térreo onde pisava.
Superficialmente era sentar, fechar os olhos e juntar as mãos. Internamente, sua mente transpunha tudo usando poucas palavras, tornando mais fácil de “explicar” o que queria. Tinha tempo limitado, era esperar ser chamada e sair da cadeira para que outros pudessem, ali, fazer o mesmo. Então ela o fez apressado, com as mesmas características de antes, concentração ao máximo, focando no subjetivo, imperativo, no fio azul, fluídico, que saia de sua cabeça para os confins do universo.
“Me dê inspiração. Por favor. Se eu tenho inspiração, sou capaz de tudo que pedia antes, e ainda melhor! Inspiração, meu Deus. Inspiração...” repetia a palavra em mente, enquanto os dedos ficavam ainda mais pressionados, os olhos ainda mais fechados, e a boca levemente levantada nos cantos. A pele toda se contorcia no rosto. “Inspiração.”
Foi quando pediram-me que saísse da cadeira, e minha oração foi interrompida. O fio que saia de minha cabeça se apagou rapidamente como uma conexão de internet. Bruscamente cortada.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Alguns Beijos de Sol

segunda-feira, 3 de agosto de 2009 1
E hoje ao meu sonhar de toda madrugada
recordei sonhando o que temia
pois foste num beijo marcado meu lábio
Esfr’ando os raios do dia

O hálito ainda virgem, seco na boca
Intocável memória ainda acesa,
Vigília entre o insano e o certo
certamente prazeroso.

Dos beijos, mais mil
entregues —
dos sonhos, de todos —
beijados
assim como fizera neste manto lácteo,
em todas as eras e vias,
E se há juras d’um Sol sangrento
Acomoda-me ao teu peito
E me jura outro Sol,
Beijando-me os lábios como fizera.

sábado, 25 de julho de 2009

Pessoas valiosas

sábado, 25 de julho de 2009 4
Eu quero coletar pessoas valiosas,
Mas não posso deixar que elas saibam
Porém, poucas delas deixam que eu me aproxime.
Falam comigo algumas vezes e depois me deixam
“O que estariam pensando? Querem que eu as busque?”
Por que as pessoas valiosas são as mais difíceis?
Ou será que apenas estou equivocada?
Talvez elas não sejam tão valiosas assim,
Essa dúvida paira em mim
Eu não posso descobrir a resposta sozinha
Mas eu também não quero ver um sorriso cínico no rosto delas
Porque eu quero coletar pessoas valiosas,
Mas não posso deixar que elas saibam.
 
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